Crítica da teoria e da prática do “poder popular”: a última palavra de ordem vazia dos reboquistas — 2ª Edição
Prefácio à 2ª Edição
Em poucos meses desde o lançamento deste texto, foi possível verificar e comprovar muitas de suas críticas na prática. Ao mesmo tempo, foi necessário avaliar e fazer autocrítica de alguns pontos. Como devemos ter em conta nossos erros antes dos erros alheios, comecemos pela segunda parte e expliquemos a necessidade desta 2ª edição.
A debilidade maior da primeira edição do artigo aqui apresentado concentrava-se na incompreensão ou compreensão parcial do processo que ocorre em nossa nação de reconstituição do nosso Partido Comunista do Brasil. Este processo é de reconstituição e não de reconstrução e é importante diferenciar uma coisa da outra. Reconstitui-se aquilo que jamais foi destruído, reconstrói-se apenas o que foi destruído. O P.C.B. (Partido comunista do Brasil, fundado em 1922 e constituído como PCdoB em Partido marxista-leninista em 1962) é o Partido do proletariado brasileiro e a luta pela sua reconstituição é uma luta pela retomada e elevação do caminho revolucionário de Pedro Pomar, Grabois, dos companheiros do PCdoB-Ala Vermelha e de tantos outros companheiros caídos ou que continuaram a luta após a falsa anistia. Falar em reconstrução é negar e opor-se a isso. No texto definido na primeira edição não pretendíamos fazer nem um nem outro, mas restou essa confusão, então devemos retificá-la. No texto foram feitas algumas modificações neste sentido, sem que se modificasse muito do argumento principal, e escolhemos por definir aqui, no prefácio, a contradição firmada entre uma concepção e outra com maior precisão.
Em outros pontos, fizemos pequenas revisões também, gramaticais e conceituais, complementos breves, mantendo a essência do texto inalterada. Podemos hoje apontar sinteticamente que a tal “construção do poder popular” do PCBrasileiro e consortes não passa da negação do caminho revolucionário trilhado desde o campo pela Revolução Agrária, da negação do caminho revolucionário que resolve a contradição principal de nossa nação, entre massas e latifúndio, e assim é um projeto essencialmente reacionário e oportunista, auxiliar do oportunismo eleitoreiro, do fascismo que o segue bem de perto.
Passemos ao segundo ponto. Recentemente, o PCBrasileiro, junto a outros partidos ditos comunistas, socialistas ou populares, como a Unidade Popular pelo Socialismo (UP), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOl), o Partido Socialista de Trabalhadores Unificado (PSTU), juntaram-se aos “progressistas” da direita mais caricata e fascista do Movimento Brasil Livre (MBL), do Partido Social Liberal (PSL, ex-partido do genocida Bolsonaro e partido, no essencial, governista) e outros para assinar o “superpedido” de impeachment, humilhação última frente às instituições burguesas para alavancar o projeto eleitoreiro do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido Comunista do Brasil revisionista (PCdoB), do Partido Democrático dos Trabalhadores (PDT), do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do PSOL e de todos os partidos da agora “moderada” direita e “centro-esquerda” que projetam-se assim frente a derrota e crise instaurada pelo governo de Bolsonaro, Mourão e generais. O malabarismo para dar a esta decisão o aspecto de observância aos princípios marxistas já começou e será engraçado assisti-lo. Os oportunistas sempre são belos palhaços para o circo eleitoral.
Devemos verificar claramente que o pedido de impeachment é, em si, um erro e um desvio dos mais escancarados, é pedir às instituições para resolverem um problema que já vem sendo combatido com atitude e ação revolucionária desde o campo e desde as cidades pelas massas aguerridas organizadas. Os oportunistas, dissimulados, dirão que precisamos de uma resolução para já. Tudo deles é para já, menos o compromisso com a luta e a própria luta revolucionária. Mas temos de concordar, a resolução é urgente! Qual seu caminho? Precisamente a integração à luta pela Revolução Agrária, que é nossa luta mais avançada, que já conquista vitórias contra o velho Estado diariamente e é por ele acossada por isso, saindo vitoriosa e deixando as forças de repressão humilhadas em toda parte. O caminho para a resolução do problema do fascismo é o caminho do aprofundamento de nossa Revolução Agrária, do desenvolvimento da Revolução Brasileira, da reconstituição de nosso Partido para que seja dada direção clara ao nosso movimento revolucionário e às massas organizadas, é o caminho da criação dos embriões do Novo Poder e da construção do Novo Poder em cada pedaço de chão. É também, e muito precisamente devemos sabe-lo, o caminho do rompimento completo com todo tipo de oportunismo e do combate ao oportunismo. Afora isso, temos a negociata de princípios, a unidade sem luta e com reacionários abertos e a contínua postulação de um “momento revolucionário” sem ação revolucionária. O Marxismo é científico, não obscuro, não exercício de adivinhação, é a ação concreta e revolucionária que comprova sua veracidade, a prática social e sua forma mais elevada, a luta de classes, em nossa época, são suas fontes de conhecimento. Nenhum partido que renegue a luta de classes seja onde for pode ser comunista. O PCBrasileiro concorda com isso quando busca propagar suas teses parlamentaristas e usar o Marxismo para negar o Marxismo, mas discorda em todo o resto e renega nossas lutas mais avançadas como aventureirismo ou falseia-as como lutas análogas às dos movimentos oportunistas que verdadeiramente defendem.
Sobre PCBrasileiro, UP e consortes, não podemos dizer que fazem de fato negociata de princípios, pois suas direções apodrecidas e encasteladas não os têm, nem marxistas nem de qualquer tipo. É isto que a decisão pela assinatura do “superpedido” demonstra. Irão demonstrar a mesma coisa as eleições de 2022, onde veremos a mesma dança de 2018 e 2020 acontecendo: apoio acrítico a um oportunista “radicalizado” ou outro, previsível derrota (as “análises de conjuntura” dos dirigentes mais “gabaritados” e dos “intelectuais” sempre prescinde desta previsibilidade) e passagem ao “apoio crítico” a um outro oportunista da matriz eleitoreira. No máximo veremos o primeiro termo ser substituído pelo lançamento de candidaturas derrotadas e castradas que não farão nem denúncia do parlamentarismo e do velho Estado nem agitação e propaganda socialista, preocupando-se com a manutenção da legalidade.
Nas manifestações do mês passado e deste, o papel dos oportunistas auxiliares da linha eleitoreira e dos eleitoreiros se definiu bem claro: buscaram tornar as manifestações, lutas parciais e não principais no desenvolvimento da luta popular, em palanques eleitorais, voltaram-se ativamente contra os combativos (o caso claro é o do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, o MTST), buscaram tornar as lutas em lutas pelo impeachment para impulsionar o projeto de repaginação e ressurgimento da “socialdemocracia” rota e extemporânea, que as massas já rejeitaram. A ameaça do fascismo e do genocídio é utilizada por esses senhores e senhoras de decrepitude manifesta, as direções e “intelectualidade” dos partidos oportunistas, para confundir as massas sobre o papel do Estado, das eleições e sobre a luta de classes. Ainda assim, as massas camponesas e proletárias aguerridas marcham organizadas, atacadas de um lado e de outro, sem vacilar, sem compromissar-se com a defesa ou abrandamento da crítica aos oportunistas, sem temer o avanço da repressão, no caminho para a vitória final, e serão elas e não os oportunistas que obterão o apoio das massas trabalhadoras e oprimidas de nossa nação, já despertas do estupor imposto pelo petismo.
Opor-nos ao oportunismo é uma tarefa revolucionária, bem como lutar contra o velho Estado. Os oportunistas e o velho Estado impõem derrotas cada vez maiores a si próprios no processo de definhamento geral do imperialismo e capitalismo burocrático, de degeneração fascista e repaginação do oportunismo para melhor servir a farsa que vêm sendo as sucessivas aberturas e fechamentos do regime político. Como devemos nos opor ao oportunismo e lutar contra o velho Estado? Integrando a luta revolucionária, hasteando a bandeira da Ideologia Científica do Proletariado Internacional, apoiando e integrando a luta pela Revolução Agrária, reconhecendo, apoiando e integrando o processo de reconstituição do P.C.B. como o Partido das massas brasileiras, vanguarda do proletariado e instrumento central da revolução, que seguirá nossa Ideologia vitoriosa e sua terceira e superior etapa e não uma contrafação de “Marxismo-Leninismo” eclética e fraca, que atua a reboque de quaisquer organizações pequeno-burguesas “radicalizadas”.
Conscientes disso, marcharemos com maior clareza de ideias e unidade de ideias e ação, confirmada pela luta, pela luta de duas linhas, em específico, e marcharemos sempre para frente e não no mesmo lugar. Para auxiliar na compreensão destes pontos, acrescentamos uma nova seção ao fim do texto sobre a Revolução Brasileira e a Revolução Agrária. Além desse acréscimo, fizemos também o acréscimo de um anexo com a crítica ao “superpedido” de impeachment lançada pelo Grupo de Estudos Ao Povo Brasileiro recentemente na coluna Glosas Críticas do companheiro Vladimir Borges.
Seguiremos aqui e por outros meios ampliando nossa crítica ao oportunismo e ao velho Estado que ele auxilia, opondo-nos a ambos de forma total e irrestrita pelo varrimento do oportunismo e destruição do velho Estado. Junto às massas, venceremos!
Brasil, 03 de Julho de 2021
Marconne Oliveira

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